Padre Arlindo

PADRE ARLINDO VIEIRA – DE MISSIONÁRIO NO BRASIL À BEATIFICAÇÃO EM ROMA

Padre Arlindo está na fila de espera pela beatificação no Vaticano em decorrência dos vários milagres que lhe são atribuídos em Minas Gerais. Contudo, ele já experimentava a santidade no Brasil, antes mesmo de falecer, seguido por muitos fiéis. Ele é muito venerado pela população da cidade de Diogo Vasconcelos e região pela dedicação sacerdotal, vocação humanitária e apreço pelas crianças. As constantes visitas ao túmulo dele na Paróquia de São Domingos de Gusmão, no município mineiro, demostram o quanto foi e permanece sendo amado pelos vasconcelenses. Ele já tinha deixado claro seu desejo de encerrar sua missão atuando na Paróquia de Diogo de Vasconcelos, numa cidade pequena e simples do interior de Minas, que o acolheu e o abraçou como o pastor. Gostava que as crianças ficassem próximas dele no altar durante as celebrações. Tinha uma atenção especial com os pequenos e buscava despertar a vocação sacerdotal. Antes das missas, ensaiava os cânticos com os fiéis que lembram das canções até hoje e que servem de homenagem ao próprio padre.

Padre Arlindo é recordado como missionário com muita saudade pelos moradores de todas as cidades por onde passou. Nada abalava a sua fé e seu amor à Deus. Ele viajou para muitos municípios nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, sempre a cavalo, deixando uma mensagem de fé por onde passava. Em Diogo de Vasconcelos, sabiam do seu amor e devoção à Nossa Senhora de Fátima, sendo considerado uma pessoa simples e humilde e com pouco tempo para visitar a cidade natal de Capão Bonito (SP), onde também era muito querido pelos conterrâneos.

A partir de 1943, as missas na Paróquia de São Domingos de Gusmão passaram a ser celebradas por Padre Arlindo Vieira, considerado um dos mais importantes sacerdotes brasileiros da época. Ele era muito querido pelos vasconcelenses e, durante 20 anos, foi o responsável pela missa do padroeiro. Em agosto, é comemorada a tradicional festa de São Domingos de Gusmão, porém o movimento de romeiros, fiéis e pagadores de promessas, que já era muito grande, aumentou muito em decorrência dos vários milagres atribuídos à Padre Arlindo.

Falecimento

O ano era de 1963 e Diogo de Vasconcelos  se preparava para mais uma tradicional Festa do Padroeiro e, segundo relato de fiéis, no dia 4 de agosto, seria celebrada mais uma Festa de São Domingos de Gusmão com previsão de três missas, sendo que padre Arlindo celebraria a das 10h. Naquela manhã, ele contou para algumas pessoas que não tinha passado bem durante a noite e pediu para celebrar a missa das 8h. No momento da purificação do vinho e na presença de um coroinha, o padre caiu aos pés do altar.  Os moradores levaram ele para a casa paroquial, mas já estava morto. Foi um dia de muita tristeza e não houve festa. O desespero tomou conta da cidade. Segundo as várias histórias, o coroinha achou que tinha sido responsável pela morte e sumiu com medo, sendo encontrado somente muitos dias depois.

Como o arcebispo de Mariana não estava presente na cidade, a população optou pelo sepultamento dentro da Paróquia. Padre Arlindo faleceu em 4 de agosto de 1963, conforme relata moradores da cidade e a publicação do Jornal Diário de São Paulo de 5 de agosto de 1974. Os moradores de Capão Bonito receberam a notícia da morte com muito pesar. Anualmente, na semana em que se celebra o dia do falecimento, pessoas fazem novena em honra ao Padre. Muitos milagres são relatados e oferendas são deixadas em seu túmulo. Uma especial devoção é expressada pelas pessoas mais idosas que vão às missas e visitam o túmulo, antes do início da celebração.

Dez anos depois da morte de Padre Arlindo, as peregrinações começaram a ocorrer na cidade de Diogo Vasconcelos com dezenas de fiéis levando flores, com preferência para crisântemo amarelo (a preferida dele), para colocar no jazigo, durante a festa. Junto ao túmulo, está uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, sua santa de devoção. Diante de tantos milagres, a Paróquia de São Domingos de Gusmão passou por algumas reformas, inclusive do sepulcro do Padre. Entretanto, ao abrirem o local, encontraram o caixão intacto e assim o mantiveram. A grande quantidade de objetos deixada como prova de milagres estimulou a construção de um anexo à Paróquia para guardar as cartas, retratos, moldes de membros e cabeças em gesso e cera, muletas, carteiras de motoristas, fotos de casamentos, de crianças, idosos, etc, atribuídos à Padre Arlindo.

Em 2013, os vasconcelenses comemoraram os 50 anos da morte de Padre Arlindo. A devoção é passada de pai para filho e seguem a tradição dos cânticos, ensinados por ele. A antiga São Domingos de Mariana, cidade pequena com aproximadamente 4 mil habitantes, recebe fiéis de toda parte do Brasil em busca de milagres e curas.  A pequena Diogo de Vasconcelos se torna uma gigantesca imagem de fé para aqueles que esperam de Deus a graça de um milagre. Todas as noites, às 19h, a Hora da Fé era celebrada pelo padre Oswaldo Martins enviando bênçãos de ação de graças aos fiéis da comunidade.

Um homem que viveu para Deus. Uma homenagem ao Padre está na rodovia que liga Ponte Nova a Belo Horizonte, a 200 metros do quilômetro 144, mantendo uma placa de tamanho regular com os dizeres: “Visitem em Diogo de Vasconcelos, na igreja, o túmulo de Padre Arlindo Vieira e deixem sua prece confiante”. Atualmente, a principal festa da paróquia ocorre no 1º domingo do mês de agosto, cuja celebração é uma homenagem ao padroeiro  e a Padre Arlindo Vieira Martins.

Uma vida destinada à santidade

Padre Arlindo nasceu em Capão Bonito, dia 19 de julho de 1897, filho de Pedro Vieira e Francisca Vieira. Desde a infância, já demonstrava interesse pelo sacerdócio. Estudou no colégio de padres jesuítas em Itu e, aos 11 anos, entrou no seminário de Botucatu (SP), onde foi ordenado sacerdote aos 23 anos, ficando um ano na paróquia de Avaré. Fez o noviciado no convento Jesuíta em Nova Friburgo. Depois foi para Roma, onde aperfeiçoou seus conhecimentos na Universidade Gregoriana e em 1932 retornou ao Brasil e, até 1940, escreveu livros didáticos, textos para jornais e revistas e, posteriormente, começou os trabalhos como missionário.

Ele se dedicou à educação, participando dos debates para a reforma do ensino da matemática, em 1930-1942, conforme a ZETETIKÉ/UNICAMP, Faculdade de Educação, Revista do Círculo de Estudo, Memória e Pesquisa em Educação Matemática (v.4, n.5, jan./jun. 1996, pg.49-54).

O processo de beatificação de Padre Arlindo está em Roma e caminha com lentidão. Um grupo de padres estuda e investiga os milagres, sem alarde,  catalogando as pessoas com “graça alcançada” por intermédio dele. Com aval ou não de Roma, Padre Arlindo já é considerado um santo popular e muito querido.

Abaixo, seguem diversos links com depoimentos e mais história sobre Padre Arlindo.

Vídeos – Padre Arlindo Vieira – O missionário do povo:

Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4 | Parte 5 | Parte 6 

Livro – Diário de um missionário popular:

Diário de um missionário popular

 

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